Laboratório cede direitos para 127 países receberem antiviral em teste contra o novo coronavírus

Empresa Gilead permite que outros cinco laboratórios fabriquem o Remdesivir, medicamento que obteve bons resultados em teste clínico.

Medicamento Remdesivir produzido em laboratório nos EUA — Foto: Gilead Sciences via AP

A empresa farmacêutica Gilead anunciou nesta semana que firmou acordo com cinco outras companhias para fabricar e distribuir o medicamento Remdesivir em 127 países. O antiviral é uma das substâncias testadas para o tratamento da Covid-19, e apresentou resultados clínicos positivos em ensaios recentes. O remédio não está à venda.

Esses 127 países são quase todos pobres, em desenvolvimento ou com problemas de acesso à saúde pública, diz um comunicado da empresa. Na América do Sul, somente Guiana e Suriname foram incluídas na lista — o Brasil ficou de fora.

Pelo acordo, os laboratórios receberão da Gilead a transferência de tecnologia dos processos de fabricação do Remdesivir para que o medicamento seja produzido em maior escala.

As empresas também poderão definir os preços, e a licença vale até a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarar o fim da emergência pública internacional de Covid-19 ou até que apareça outro medicamento mais eficaz ou uma vacina contra o novo coronavírus.

O que é o Remdesivir?

O Remdesivir é um remédio que age evitando a síntese do RNA (material genético) do vírus nas células, disse ao G1 em março o professor Marcelo Burattini, especialista em medicina tropical da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Saiba mais no VÍDEO acima.

A farmacêutica americana Gilead detém a patente de uso do Remdesivir. Seus testes clínicos começaram em 2015 para um série de vírus, entre eles a malária e a influenza.

Laboratório da empresa Gilead produz antiviral Remdesivir — Foto: Gilead Sciences via AP

Laboratório da empresa Gilead produz antiviral Remdesivir — Foto: Gilead Sciences via AP

Em estudo com 1.036 pacientes de Covid-19, parte recebeu o Remdesivir e, outra parte, um placebo. Aqueles que receberam a substância tiveram o tempo de recuperação reduzido em 31%. O medicamento, portanto, não é uma cura para doença.

Aqueles que tomaram o medicamento puderam deixar o hospital em 11 dias, enquanto, em média, o grupo que tomou um placebo em 15 dias.

Há duas semanas, a agência de Administração de Alimentos e Drogas (FDA, na sigla em inglês) aprovou, em caráter emergencial, o uso do Remdesivir nos Estados Unidos.

Por G1