Diagnóstico tardio de infarto pode ser pior que infecção pela Covid-19

Cardiologista responde as principais dúvidas de pacientes sobre os cuidados com as doenças do coração durante pandemia

A cada 90 segundos morre uma pessoa por doença cardiovascular no país, segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia. Em meio à pandemia mundial da Covid-19, o número de pacientes que não dão prosseguimento ao tratamento, não retornam ao consultório médico e adiam procedimentos cirúrgicos tem crescido. Essa é a principal preocupação dos cardiologistas, já que os cardiopatas estão no grupo de risco, aqueles em que o vírus pode ser mais agressivo.

O médico cardiologista do Hospital Nossa Senhora das Neves Gustavo Rique respondeu as principais dúvidas de pacientes que estão no isolamento social e relaxam com a sua saúde, guardam os sintomas e não sabem o momento de procurar uma urgência hospitalar.

Dr. Gustavo Rique, chefe de serviço da especialidade no HNSN — Foto: Potter/HNSN

Dr. Gustavo Rique, chefe de serviço da especialidade no HNSN — Foto: Potter/HNSN

HNSN: Como a Covid-19 pode afetar a saúde dos cardiopatas?

Cardiologista: Como sabemos, pacientes com comorbidades têm um risco maior de desenvolver desfechos ruins com a infecção pelo novo coronavírus. Por exemplo, as doenças cardiovasculares. Pacientes hipertensos e com doença coronária possuem maior chance de desenvolver a forma grave da Covid-19. Alguns estudos mostram que o coronavírus pode afetar o sistema cardiovascular levando ao dano do miocárdio (músculo cardíaco que contrai para levar sangue para todo o corpo) com consequências graves a esse quadro clínico.

HNSN: Esse é o momento de mudar ou suspender medicamentos para doenças cardiovasculares?