Brumadinho: dimensões desta tragédia na saúde

Membros da equipe de resgate participam de missa em homenagem às vítimas da tragédia em Brumadinho. — Foto: Adriano Machado/Reuters

A tragédia em Brumadinho tem dimensões incalculavelmente extensas para todas as pessoas que, de uma ou de outra forma, participam diretamente e/ou atuam na busca por vítimas ou por animais que ainda tem alguma chance de sobreviver.

O primeiro momento é o de extremo estresse, raiva, tensão e dor. Os familiares dos que foram encontrados mortos vivem a dor do luto entrelaçada com os sentimentos de inconformismo e raiva, posto que a morte do ser querido poderia ter sido evitada, não fosse a incompetência, a irresponsabilidade e o descaso pela segurança das pessoas que ali trabalhavam ou estavam.

Os familiares dos que estão desaparecidos vivem a agonia da espera de uma notícia que colocará fim à esperança de um reencontro com o ser querido. Viverão também o luto e a dor da perda irremediável.

Os que estão socorrendo as vítimas – especialmente os bombeiros – são heróis incansáveis que se arrastaram na lama imunda, cheia de minério tóxico, exalando um cheiro assustador e terrível, na esperança de salvar mais uma vida ou na dor de resgatar mais um corpo. O estresse físico e mental é absolutamente inevitável.

Todas estas pessoas passam por uma situação de estresse que pode ter consequências graves para a saúde física e mental e por isso necessitam de apoio médico e psicológico.

Todos os que tiveram contato com a lama correm o risco de intoxicação por metais pesados. Por isso, fiquem alerta aos sinais de náusea, vômito, cefaleia, diarreia, dor no corpo, coceira ou manchas vermelhas na pele. O melhor é procurar rapidamente um médico para avaliação e orientação.

Não utilizem a água do Rio Paraopeba para absolutamente nada e muito menos para beber. As pessoas que estão na região devem se alimentar saudavelmente e principalmente tomar muita água limpa e potável para hidratar o organismo. Muito importante: coloquem todas as vacinas em dia. Principalmente a da febre amarela.

Essa tragédia vai deixar sequelas graves e comprometer também o futuro de muitas pessoas. Quais – e qual a concentração – dos metais que estão nesta lama? Podem causar problemas de saúde mais adiante como câncer, por exemplo? Qual o comprometimento que este mar de lama vai gerar no ambiente? Doenças como febre amarela ou leptospirose aumentarão? As águas dos outros rios que correm nas imediações podem ser contaminadas?

Muitas destas questões precisam ser esclarecidas para que médicos especialistas possam orientar com segurança a população. A dimensão desta tragédia para a saúde de todos é gigantesca e está longe do final.

Neste momento, as únicas imagens que nos confortam são as das pessoas que estão em Brumadinho ajudando umas às outras, na mais pura demonstração de solidariedade humana.

G1 Por Ana Escobar,